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Marido está ‘dando um tempo’ após descobrir falsa gravidez, diz advogado

1 de fevereiro de 2012

Homem diz ter sido enganado sobre gravidez de quadrigêmeos.
Casal está afastado do trabalho em Taubaté, SP.

Kléber Vieira e Maria Verônica posam para foto antes da revelação da falsa gravidez  (Foto: Jorge Araújo/Folhapress)
Kléber Vieira e Maria Verônica antes da revelação
da falsa gravidez (Foto: Jorge Araújo/Folhapress)

Dez dias após a revelação de que era falsa a gravidez de quadrigêmeos em Taubaté, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo, o casal Maria Verônica Aparecida e Kléber Vieira está separado momentaneamente, informaram nesta quarta-feira (1º) os advogados dos dois. O apartamento alugado onde eles moravam e a escola de educação infantil da mulher estão fechados. A educadora, de 25 anos, e o metalúrgico, de 37, seguiram, cada um deles, para a casa de seus pais. O filho do casal ficou com o marido. Não há informação se eles irão continuar separados.

Maria Verônica e Kléber Vieira são investigados pela Polícia Civil por suspeita de falsidade ideológica e estelionato. Ela teria usado indevidamente uma imagem de ultrassom de outra mulher postada na internet para forjar a gravidez (com o uso de uma barriga falsa, feita de silicone) e conseguir enganar a imprensa, que noticiou o fato como sendo verdadeiro. Ela e o homem ainda são suspeitos de receber dinheiro e doações para o enxoval.

Homem
“Eles estão dando um tempo. Estão se falando por telefone, mas ele ainda não definiu como será sua relação com ela. No momento, o filho do casal, de 4 anos, está com o pai, que foi para a casa de seus parentes”, afirmou Marcos Antonio Leite, defensor de Kléber Vieira.

Segundo o advogado, seu cliente alegou ter sido “enganado” pela própria mulher à polícia. “Ele foi ouvido na sexta-feira [27] e respondeu que não sabia de nada, que ela não deixava ele vê-la sem roupa. Ele se submeteu a uma vasectomia e não pode ter filhos, mas preferiu acreditar na gravidez e depois fazer um exame de DNA para saber da paternidade. Mas nada disso aconteceu porque ela não estava grávida. Ele está abalado e tomando remédios psiquiátricos”.

Mulher
“É uma separação momentânea de casal por conta do assédio da imprensa. Eles estão se encontrando. Ela está com os familiares, recebendo o carinho da família e também está passando por cuidados psicológicos”, disse Enilson de Castro, advogado de Maria Verônica.

Segundo o defensor da mulher, ela mentiu sobre a gravidez para o marido, para a família e para os jornalistas porque sofre de algum transtorno emocional por conta de problemas pessoais. “Para mim, ela é inimputável, não pode responder por seus atos. Se for necessário, pedirei algum exame de sanidade mental”, falou Castro. “Ela sempre quis ter uma filha e havia ficado arrasada quando o seu marido foi operado sem avisá-la. Isso a abalou e ela chegou a acreditar que estava grávida porque testes de farmácia apontavam isso. Depois deve ter tido uma gravidez psicológica, desmentida por um médico. Mas como ela ficou desesperada, manteve a história da gravidez.”

De acordo com os defensores da educadora e do metalúrgico, seus clientes estão afastados dos respectivos trabalhos desde a descoberta da mentira no dia 20 de janeiro, quando os advogados concederam entrevista coletiva em Taubaté para esclarecer a farsa. Segundo Castro e Leite, os investigados não querem falar com a imprensa neste momento.

Escolinha
O advogado da educadora informou que ela estuda a possibilidade de vender a escolinha particular que possui em Taubaté. “A repercussão do caso foi negativa para o trabalho dela e ela pensa em se desfazer do negócio”, disse Castro.

Procurada para comentar qual é a situação atual da escola ou se iria tomar alguma medida futura em relação à unidade de educação infantil, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Taubaté informou que iria procurar a Secretaria Municipal de Educação para divulgar alguma informação.

Segredo de Justiça
O advogado do metalúrgico afirmou que ainda aguarda a decisão da Justiça em Taubaté a respeito de um habeas corpus que pede o “trancamento do inquérito policial” ou, no caso de uma negativa, que o inquérito siga “sob segredo de Justiça”. “Eu impetrei esse pedido no dia 19 de janeiro. Pedi o trancamento porque entendo que doação voluntária não é crime. E pedi o segredo porque o caso envolve famílias”, disse Leite.

Procurada, a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) informou que nenhuma decisão tinha sido tomada até o início desta tarde.

As doações ao casal serão devolvidas aos interessados que quiserem reaver  seus bens, segundo o advogado da mulher.

Investigação
O caso está sendo investigado pelo 1º Distrito Policial de Taubaté. O delegado José Luiz Miglioli não foi localizado para comentar o assunto porque está de férias. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, o delegado seccional de Taubaté, Ivahir Freitas Garcia Filho, afirmou nesta quarta que não havia nenhuma novidade no caso.

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