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Defesa Civil diz que corpo da nona vítima de desabamento é localizado

27 de janeiro de 2012

Equipes trabalham em escombros de tragédia ocorrida na quarta (25).
Prédio de 20 andares desabou e fez ruir dois imóveis vizinhos.

Trabalho de resgate nos escombros dos predios que desabaram no Centro do Rio (Foto: Ide Gomes/Frame/AE)
Bombeiros trabalham em estruturas que ficaram penduradas em imóvel vizinho ao prédio de 20 andares que desabou no Rio e fez ruir outros dois prédios vizinhos (Foto: Ide Gomes/Frame/AE)

Equipes dos bombeiros localizaram o corpo da nona vítima do desabamento de três prédios ocorrido na quarta-feira (25), no Centro do Rio de Janeiro. De acordo com a Defesa Civil, a vítima é uma mulher e foi achada no começo da tarde desta sexta-feira (27).

No primeiro dia de buscas, cinco corpos foram resgatados. Nesta sexta-feira, quatro foram encontrados, sendo que o primeiro foi achado pelas equipes ainda durante a madrugada. As equipes têm expectativa de encontrar os escombros doandar onde um grupo tinha aula no prédio de 20 andares.

Segundo a Polícia Civil, quatro vítimas haviam sido identificadas até por volta das 9h. Foram listados como mortos na tragédia Celso Renato Braga Cabral, Cornélio Ribeiro Lopes, Margarida Vieira de Carvalho e Nilson de Assunção Ferreira. Sob aplausos, Cabral foi enterrado nesta manhã em Niterói.Além das vítimas relacionadas oficialmente pela Polícia Civil, parentes também dizem já ter identificado o corpo do catador de lixo Moiséis Moraes da Silva.


O acidente deixou seis feridos. De acordo com a Secretaria municipal de Saúde, o quadro mais grave é o da única pessoa que segue internada. Ela é uma mulher que teve lesão no couro cabeludo, passou por cirurgia e foi transferida para um hospital particular.

Buscas continuam
Não foi divulgada uma lista oficial ou até mesmo o número exato de pessoas procuradas. O secretário municipal de Assistência Social, Rodrigo Bethlem, disse que representantes de 26 famílias procuraram notícias de desaparecidos.  “Pode haver gente sendo procurada que não esteja aqui nos escombros”, afirma.

O subcomandante geral do Corpo de Bombeiros, Ronaldo de Alcântara, chegou a afirmar na manhã desta sexta que as equipes trabalham com a possibilidade de haver 23 desaparecidos. Ele disse acreditar que os procurados possam estar concentrados em pontos próximos nos escombros.

Na madrugada desta sexta, o secretário estadual de Defesa Civil, coronel Sérgio Simões, informou que as buscas vão continuar por mais 48 horas. “Esse é um prazo que eu estou me impondo para encerrar as buscas”, disse o coronel. Segundo ele, após esse prazo, o trabalho de retirada dos escombros será de competência da prefeitura.

Para Simões, o modo como o desabamento parece ter ocorrido dificulta ainda mais as buscas. “O volume de material é muito grande. A essa altura já era para nós termos encontrado mais corpos, mas a sobreposição das lajes efetivamente é um dificultador”, avaliou.

Polícia abre inquérito
A Polícia Civil abriu inquérito para apurar as responsabilidades do desabamento. Na quinta-feira (26), o titular da 5ª DP (Mem de Sá), delegado Alcides Alves Pereira, ouviu sete testemunhas e dois policiais que prestaram socorro às vítimas logo após o colapso das estruturas.

O desabamento ocorreu por volta das 20h30 de quarta. Um prédio de 20 andares, outro de 10 e um imóvel de cinco pavimentos ficaram em ruínas. O trânsito nas ruas situadas nas imediações do Theatro Municipal permanece interditado.

No momento da tragédia, testemunhas disseram ter ouvido a estrutura do edifício estalar antes de ir ao chão. Sobreviventes relataram momentos de desespero. Um vídeo de câmera de segurança mostrou correria na avenida antes de a poeira do desabamento tomar a região.

Para o prefeito Eduardo Paes, a principal hipótese é que o desabamento tenha sido causado por um dano estrutural, já que não há informações sobre explosão ou vazamento de gás. O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) informou que obras “ilegais”, sem registro no conselho ou na prefeitura, eram realizadas no prédio de 20 andares.

Reforma questionada
O advogado Gerlado Beire Simões, que representa o síndico do edifício Liberdade, Paulo Renha, o maior dos três prédios que desabaram, afirmou que seu cliente recentemente havia pedido documentos sobre as reformas em dois andares. Conforme o advogado, duas reformas eram realizadas no prédio, uma no 3º e uma no 9º andar, pela maior empresa do prédio, a TO – Tecnologia Organizacional.

O engenheiro Paulo Sérgio Brasil, que acompanhou uma obra da TO no 3º andar do prédio, negou alterações estruturais na reforma. “Não tinha viga. Já vi muita gente falar, mas não conhecem a estrutura do prédio. Todos os pilares são externos. No meio, não tem pilar, não tem viga”, argumenta.

Luto de três dias
O governador Sérgio Cabral decretou luto oficial de três dias no estado do Rio de Janeiro em memória dos mortos. De acordo com o governo do estado, o decreto será publicado no Diário Oficial do Estado desta sexta. A assessoria de imprensa da Prefeitura informou que o município fará o mesmo.

Mapa detalhado dos prédios do desabamento no Rio (Foto: Arte G1)

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